domingo, 17 de novembro de 2013

Um sentimento tão Português...

Saudade...


Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais... 
Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.
E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


(Pablo Neruda)

domingo, 29 de setembro de 2013

... Aqui eu fui feliz :)


                                                                                      Os hecho de menos amigos...


... Porque são as pessoas, e os lugares, que fazem com que a nossa vida seja especial e valha a pena... Eu tive a sorte de encontrar um país e uma cidade que adorei e me acolheram, um povo que me acarinhou quando no meu país as oportunidades não abundavam, e fazer amigos que espero merecer e conseguir manter neste caminho que é a vida...

Uma nova vida começa, com ela novos desafios, mas estes três anos que passaram não teriam sido os mesmos e não deixariam tanta saudade se vocês não tivessem feito parte deles...se não tivessem estado para as nossas jantaradas, para o desespero pré exames, para uma caña no fim da tarde, para uma caminhada no fim do dia, ...e para me limpar as lágrimas e dar um abraço apertado... E por fim, por me ajudarem a sentir "a gustito" ;) .

Obrigada por fazerem parte das memórias tão lindas que guardo destes anos da minha vida!

Hasta la vista siempre :)


terça-feira, 27 de agosto de 2013

Chegar tarde...

É uma constante na minha vida... Chego sempre tarde ou fora de tempo... 
Será o preço a pagar pelas indecisões ?

Hasta la vista...

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Porque hoje é um dia especial...e todos os dias são bons para recomeçar...

Recomeça...
Se puderes.
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura
És Homem não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga in Diário XIII

segunda-feira, 27 de maio de 2013

É bem verdade...



"Se procurar bem você acaba encontrando.
Não a explicação (duvidosa) da vida,Mas a poesia (inexplicável) da vida"

por Carlos Drummond de Andrade


Hasta la vista...siempre :)

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Dicen que no hablan las plantas...

Porque hoje é o dia das letras Galegas... y porque llevo Galicia en el corazón...



Dicen que no hablan las plantas, ni las fuentes, ni los pájaros, 
Ni el onda con sus rumores, ni con su brillo los astros,
Lo dicen, pero no es cierto, pues siempre cuando yo paso,       De mí murmuran y exclaman:
—Ahí va la loca soñando
Con la eterna primavera de la vida y de los campos,
Y ya bien pronto, bien pronto, tendrá los cabellos canos,
Y ve temblando, aterida, que cubre la escarcha el prado.
—Hay canas en mi cabeza, hay en los prados escarcha,
Mas yo prosigo soñando, pobre, incurable sonámbula,
Con la eterna primavera de la vida que se apaga
Y la perenne frescura de los campos y las almas,
Aunque los unos se agostan y aunque las otras se abrasan.

Astros y fuentes y flores, no murmuréis de mis sueños,
Sin ellos, ¿cómo admiraros ni cómo vivir sin ellos?


Rosalía de Castro.

 Hasta la vista

terça-feira, 14 de maio de 2013

Ensinam os gatos

Nada como uma crónica do MEC para me arrancar um sorriso logo pela manhã(o que não é difícil) , antes de "agarrar o touro pelos cornos"(que é como quem diz...ESTUDAR.  ;)
 Fica uma pequena amostra:
"O que me espanta num gato é a maneira como combina a neurose, a desconfiança e o medo- para não falar numa ausência total de sentido de Humor- com o talento para apreciar o conforto e ,sobretudo, a capacidade para dormir 20 em cada 24H sem a ajuda de benzodiazepinas. O gato é neurótico mas brinca...Mas, acima de tudo, descobriu o sistema binário da existência. Que é: dormir faz fome. Comer faz sono. "
Hasta la vista :*

terça-feira, 7 de maio de 2013

As lutas... e os lutos

...Não é fácil...também ninguém disse que seria. Travar lutas quando se estão "vivendo" lutos... Mas não são os lutos em si mesmos uma luta?
Não sei, nem sei se algum dia saberei, lidar com as perdas (reais e figuradas), das pessoas que amo. Acho que nos vamos habituando, mas fica sempre uma cicatriz... e o "tecido" cicatrizado, embora mais resistente, é também menos funcional que o original... "hay que joderse"
Até sempre ...

terça-feira, 30 de abril de 2013

O factor SPAC por MEC


"A amizade, entre um homem e uma mulher é (o leitor que escolha) um bico-de-obra; uma coisa muito linda; ainda mais complicado que o amor; absolutamente impossível; amizade da parte da mulher e astúcia da parte do homem; astúcia da parte da mulher com amizade da parte do homem; só possível se a mulher for forte e feia; impossível se o homem for minimamente atraente; receita certa para a desgraça; prelúdio certo para o romance; indescritível; inenarrável; sempre desejável; o que Deus quiser; o diabo.
O leitor que não tenha escolhido todas as hipóteses não percebe nada disto. Quanto à leitora, o mais provável é ter ficado a pensar , já que as mulheres portuguesas, por dura experiência, percebem mais destas coisas que os homens. Em Portugal, a amizade entre pessoas de sexos opostos (ou sexualidades opostas) é sempre muito problemática, dada a chamada «cultura vigente». A cultura vigente é dominada pelo conhecido Factor SPAC, que influencia todas as relações entre homens e mulheres. O factor SPAC (que significa, em repreensível português, «Salto Para A Cueca») está sempre presente.
É a mulher que repara que o seu grande amigo esta disposto a discutir todos os problemas dela com a maior paciência e compreensão, mas que começa a arroxar e a esverdear, a puxar o lustro à cadeira com o rabo, sempre que ela lhe revela estar muito feliz com um novo amor. Ou (pior ainda) com um velho. Se o amigalhaço suporta a miséria mais camiliana com um sorriso, mas não aguenta a mínima menção de alegria, se ajuda muito nos dissabores e desamores mas empata ainda mais nos sabores e amores, levanta-se no espírito da mulher, legitimamente ou não, o factor SPAC. E ela interroga-se: «Se calhar este também me quer Saltar Para A Cueca?» E se calhar quer. Se isto é ou não um crime, é o que se vai ver.
O problema não é exclusivo das mulheres, também os homens podem atribuir a certos comportamentos femininos uma medida do factor SPAC (sobretudo o tipo de homem que pensa em Catherine Spaak, a esquecível actriz de cinema, antes de pensar em Paul-Henri Spaak, o memorável espírito impulsionador da CEE). O homem português tende a distinguir mais claramente entre Amigos e Amigas. Os Amigos são para copos e conversas escandalosas de bola e de «boas». E são também, nos casos extremos, para Sempre. As Amigas são para chavenas de chá e conversas profundas sobre a natureza do Inverno. Isto sem falar nos típicos caraméis para quem amigas é: todas as pessoas do sexo oposto com número de telefone, olhos bonitos e uma possibilidade mínima de 1 por cento na tabela SPAC.
A amizade entre homens e mulheres pode chamar-se isenta de factor SPAC quando se fala livremente, como os amigos falam, de terceiros amores. Se uma rapariga se sente a vontade para chegar ao pé de um rapaz e dizer pá! Sabes o que me aconteceu? Apaixonei-me! Não é porreiro? e se o rapaz acha que sim, que é bastante porreiro, então pode dizer-se que o factor SPAC está de ferias. Claro que haverá sempre alguns ligeiros ciúmes «Afinal já não posso ir contigo à festa — vou com a Gisela / o Giselo ao concerto, desculpa lá». Mas nada que ponha em perigo a amizade.
Uma das maneiras tradicionais de atenuar o factor SPAC é S mesmo PAC. «Pronto, agora que já estamos despachados neste departamento diz a mulher para o homem, atirando-lhe o maço de cigarros [está bem, pronto, de SG Pack], — vamos lá a ver se ficamos amigos». Os ex-amantes, depois do grande holocausto, podem dar bons amigos (desde que não se tenham amado de mais e dado cabo dos dois coraçãozinhos logo à partida). No cenário pós-SPAC (reza a teoria do Cacaracá conforme se expõe nos cafés do Porto e Lisboa), a curiosidade sexual é imediatamente saciada e a amizade pode florescer, desimpedida das ervas daninhas do desejo. E caso o salto seja em altura, homem e mulher, presumivelmente, decidem continuar amantes. Esta teoria (do Machao-Latino, ou «M-L») não presta, porque supõe que o SPAC é uma coisa simples e toda a gente sabe que, na cama, fazer amor é uma coisa, fazer só por fazer e outra, mas fazer amizade não é nem uma coisa nem outra. Mas a teoria oposta (da Machona-Lusitana, «M-L» à mesma) também não serve. Imaginando que o factor SPAC nunca existe entre um homem e uma mulher que sejam verdadeiros amigos, caem no simplismo contrário. Tal como o homem que pensa «Que chatice! Isto nunca mais passa da amizade para o que interessa!), a mulher que pergunta: «Será que este é mesmo meu amigo ou estará a fazer-se ao piso?» está a cometer o mesmo erro. É como perguntar acerca de um pastel de nata se é mesmo feito de farinha ou só de nata. Portugal não é só Lisboa, mas Lisboa também é Portugal (e não é pouco).
Se fosse como os M-L machos e fêmeas diziam, então os homens só podiam ter amigas muito feias (o que é limitativo) e as mulheres só podiam ter amigos muito desinteressados (o que seria muito desinteressante). A própria ideia de uma amizade inocente põe a hipótese de uma amizade culpada. Ora ninguém pode ter culpa de ser amigo doutra pessoa. A verdade é outra. Como as mulheres são diferentes dos homens (por exemplo, os segundos sentem-se mais obrigados a tentar SPAC das primeiras do que as primeiras PAC dos segundos), é natural que essa diferença se faça sentir nas relações de amizade. Quando não existe a mínima atracção de parte a parte, tudo bem. Mas quando existe, também não é mau. Alias, se houver uma gestão elegante dos vários frissons envolvidos, pode até ser melhor.
Vejamos. Em geral, as mulheres portuguesas gostam mais de ter amigos do que ter amigas. 0 Problema é que os homens também. Isto leva a um desequilíbrio considerável na oferta e na procura de amizades. Posto de maneira brutal, não faltam mulheres dispostas a serem amigas de homens. Os homens é que faltam mais. E aproveitam-se disso.
Por outro lado, as mulheres, regra geral, tornam-se amigas dos homens pondo a raridade e o valor da amizade acima da maior vulgaridade do SPAC. Tanto mais que o homem português não põe facilmente a hipótese de uma mulher se tornar amiga dele para lhe SPAC. O raciocínio típico do Homo lusitanus é simples: «0h... se ela me quisesse SPAC escusava de estar com tanto trabalho!» Em Portugal é assim. O homem acha que, no que toca a SPAC, é ele que tem de trabalhar.
E a mulher também conseguiu convencer o homem que é isso que ela acha também. Logo, o trabalho de amizade de uma mulher nunca é levado a mal pelo homem (é levado por outras mulheres; mas essa é outra história). Em contrapartida, o trabalho do homem é sempre posto em causa. E muito bem posto, aliás. Se ele propõe «Talvez fosse melhor ficarmos aqui em casa hoje à noite, não ouviste o boletim meteorológico?», ela faz muito bem em pensar: « Está bem, filho, já vais ver a imagem do satélite...». Mas faz mal em duvidar da amizade dele só por causa disso. A verdade é que o amigo talvez gostasse de lhe SPAC, não lhe cairia mal, não senhor, mas pronto, se não puder ser, ninguém morre por causa disso, ficamos amigos à mesma. Seja por natureza, seja por formação, o homem tem sempre de manter presente a possibilidade de SPAC da mulher. Pode ser de maneira Roskoff (tentando abertamente) ou pode ser de maneira Rachmaninoff (pensando, pianinho, na eventualidade de ficarem só os dois numa ilha deserta depois de uma bomba atómica ter destruído toda a humanidade), mas lá ter de ser, tem.
Resumindo: para as mulheres, como amigas de homens, a «amizade, amizade,amores à parte», enquanto para os homens é mais «amizade, amizade, e uns amores a parte, se puder ser, se faz favor, se não também não faz mal». Na verdade, a amizade e o factor SPAC não são mutuamente exclusivos. Pode ser-se muitíssimo amigo de alguém que se deseje muito, pouco, muito pouco ou nada. O factor SPAC tem o mesmo peso na amizade que o Max Factor no amor. Nem mais."

Acho uma delícia este texto...já lá vão uns aninhos desde que o li pela primeira vez....

domingo, 28 de abril de 2013